A Revolução dos Bichos

A revolução dos bichos

Maior interação com animais de estimação durante a pandemia leva Petz a registrar alta de quase 50% no faturamento.

Parte da rotina do empresário Sergio Zimerman, fundador e CEO da Petz, engloba momentos de lazer com o gato Lion e os cachorros Bob, Freud, Mel, Pingo e Pituca. Os animais, sem raça definida, com exceção dos yorkshires Bob e Freud, são como membros da família, segundo ele. Mas, nos últimos meses, a atenção dada pelo executivo aos bichinhos de estimação teve de ser reduzida. Isso porque o CEO enfrentou um período intenso na gestão da empresa. Caracterizada como serviço essencial, a Petz não sofreu o impacto de fechamento das unidades, como a maior parte do varejo. Pelo contrário. No comparativo de 2020 com o ano anterior, a rede de petshops apresentou alta de 46,6% no faturamento, para R$ 1,7 bilhão. No lucro líquido, o crescimento foi de 98,3% para R$ 74,1 milhões.

Na opinião do paulistano que comanda as operações da varejista, os índices são resultado de uma rotina que foi o oposto da sua: maior proximidade dos tutores com os animais de estimação durante as atividades de home office. “O consumo, principalmente de brinquedos e petiscos, cresceu com a interação”, afirmou Zimerman. Aproveitando esse novo momento e focando no objetivo de tornar a Petz reconhecida como o melhor ecossistema do segmento até 2025, o executivo pretende lançar, ainda este ano, uma plataforma marketplace focada na venda de produtos exclusivos e importados. “Somos pioneiros nesse tipo de serviço”, disse Zimerman à DINHEIRO. “Temos uma visão ampliada do segmento, olhando o mundo todo, principalmente para os mercados europeu e americano.”

Inicialmente, estarão à venda 1 mil produtos dentro da nova plataforma. Mas esse número deve crescer substancialmente, de acordo com Zimerman. Até o fim do ano, a Petz prevê ofertar 12 mil itens no marketplace. O lançamento faz parte de uma parceria entre a companhia do segmento pet com a startup uruguaia Nocnoc, responsável pela negociação e importação dos produtos, conversão das moedas, pagamento dos impostos e operação logística de entrega. A plataforma tem como objetivo diminuir o prazo de entrega, que costuma ser de 40 a 90 dias, para no máximo 30 dias. A nova plataforma pega carona na onda econômica positiva para o setor pet e no aumento das compras por canais digitais.

Do total de R$ 173,7 milhões investidos no ano passado, R$ 30,6 milhões foram aplicados em tecnologia, alta de 90,2% em relação aos R$ 16,1 milhões investidos em 2019. Essa estratégia de investimento se fortaleceu durante o isolamento social, período em que a Petz registrou 1 milhão de novos clientes, 50% vindos por meio dos canais digitais da companhia. O aplicativo da empresa possui média mensal de 630 mil usuários ativos.

Segundo dados do Euromonitor, a Petz dobrou seu marketshare nos canais digitais, atingindo quase 27%, e batendo o recorde de 6,4 milhões de acessos em dezembro de 2020. Manter esse plano estratégico em ação durante o período de isolamento social aparentemente, rendeu bons frutos à companhia. Em 2020, a rede apresentou crescimento de 342% na receita bruta digital, que totalizou R$ 395,6 milhões frente os R$ 89,5 milhões acumulados em 2019.

EXPANSÃO Uma estratégia mantida pela Petz em 2020 e que deve continuar este ano, é a expansão do número de lojas. Com um total de 136 unidades próprias em 15 estados e no Distrito Federal, a empresa registrou o recorde anual de abertura de lojas em 2020, quando 28 unidades foram inauguradas e três novos estados passaram a compor o mapa da rede (Ceará, Mato Grosso e Sergipe). Somente no ano passado, foram investidos R$ 123,8 milhões em novas lojas e hospitais. Para este ano, a previsão da companhia, que possui 6% de marketshare e disputa mercado com as redes Cobasi e Petland, é manter esse crescimento e inaugurar, ao menos, 30 lojas. Até 2025, o objetivo de Zimerman é manter o número de inaugurações e chegar a todos os estados brasileiros.

Foco no Hub: estratégia de crescimento integra novas lojas, hospitais, diversificação da marca própria e marketplace de produtos importados

Na opinião do CFO da Petz, Diogo Bassi, o investimento em unidades físicas é um reforço à ominicanalidade. “Estar posicionado em novas regiões reflete na ampliação da venda do digital”, afirmou Bassi. Com a expansão planejada para 2021, a rede prevê abrir mais 1 mil novas vagas de emprego. Somente durante a pandemia, foram realizadas 1,3 mil contratações, totalizando 5,2 mil funcionários diretos. Mesmo com bons resultados e uma estratégia clara de crescimento, a Petz ainda não tem como objetivo expandir para mercados internacionais. Parte dessa decisão, aponta o CEO da rede, é tomada pelo grande potencial do segmento no Brasil. Mesmo sem o fechamento dos dados de 2020, o Instituto Pet Brasil estima alta de 13,5% no setor em relação ao ano anterior, totalizando faturamento de R$ 40,1 bilhões no País. A previsão anterior à pandemia apontava crescimento de 6,25%. O resultado mantém o Brasil como terceiro maior mercado do mundo, atrás de Estados Unidos e China.

“O mercado pet brasileiro é muito fragmentado e existem inúmeras oportunidades”, disse o CEO. “Temos muito por fazer aqui antes de sair do País”. Esse cenário positivo, porém, não exclui algumas desvantagens. Para o executivo, muitas delas são questões estruturais. “O segmento pet sofre pela alta informalidade e acaba atingido mais fortemente pelo ‘manicômio tributário’ que existe no Brasil.” Atuando desde 2002, a Petz abriu capital em setembro do ano passado, com movimentou R$ 3,03 bilhões. A estreia na B3 atraiu quase 40 mil investidores. Boa parte da injeção de recursos vai para ampliação da rede de clínicas veterinárias e hospitais. Por meio da marca ‘Seres’, a empresa quer se tornar referência de hospital veterinário em todo o País. O foco parte, segundo o CEO, da relação criada entre os tutores dos animais e a rede. “Existe uma relação de confiança e de fidelização”, afirmou Zimerman. “É uma penetração de longo prazo, mas estamos no caminho para ter uma rede nacionalmente reconhecida dentro de alguns anos”. Atualmente, a Petz tem 114 centros veterinários, dos quais 10 são hospitais – nove deles com funcionamento 24 horas.

Além da plataforma e da expansão no atendimento veterinário, está no radar aumentar a disponibilidade de produtos da marca própria, que hoje engloba 25 categorias. O passo seguinte será por meio de serviços que vão além do centro de estética oferecido atualmente e incluir no ecossistema serviços de hotel, passeio, treinamento e até de babá para os animais. “Temos a pretensão de criar uma plataforma integrada que os players mundiais olhem como referência.”

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: https://www.istoedinheiro.com.br/a-revolucao-dos-bichos/

 

 

Previous Mercadona amplia linha de cervejas com Falke Tostada 0,0%
Next Fran’s Café lança linha de chocolates premium

You might also like

Notícias

Episódio 4 – O Shopper e as Marcas Próprias com Neide Montesano.

Neste episódio Fatima Merlin entrevista Neide Montesano presidente da Abmapro sobre um tema de extrema relevância e que vem ganhando destaque nas escolhas e na cesta de consumidores e shopper:

Blog

ABMAPRO leva executivos para evento de marcas próprias nos EUA

O mercado de marcas próprias segue em amplo crescimento no mundo. Os Estados Unidos são um retrato fiel desse fenômeno. Representa quase 25% das vendas no varejo. Diante disso, a

Comércio varejista

Rede DIA inaugura novo conceito de loja no Brasil

Por:  Amanda Lima “Meu DIA” traz modelo de loja focado em entregar mais conveniência ao consumidor, além de oferecer itens básicos para abastecimento da casa A rede de supermercados DIA

Notícias

Grupo Pão de Açúcar quer destacar marcas brasileiras

O Brasil é um dos mercados mundiais com menor penetração das marcas próprias, apenas 5%, e agora o GPA quer mudar isso – aumentando margens, diminuindo a dependência da indústria