Redes de farmácia têm bons resultados com produtos private label

Redes de farmácia têm bons resultados com produtos private label

Juntas, as cinco principais redes de drogaria no Brasil movimentaram R$ 2,33 bilhões com suas marcas próprias.

As empresas do varejo farmacêutico, que atuam no mercado de consumer health, vêm se destacando e obtendo resultados positivos com a adoção da estratégia de private label. De acordo com um levantamento realizado pela IQVIA Brasil, a marca própria das redes de farmácia cresceu mais de 20 pontos percentuais (p.p.) acima da média geral do mercado de consumer health.

Considerando apenas as cinco principais redes (Raia Drogasil, Pague Menos, DPSP, Drogaria Araujo e Ultrafarma), o aumento na receita durante os meses de agosto de 2022 e julho deste ano foi de 58,5%. Durante esse período, elas movimentaram R$ 2,33 bilhões com marcas próprias. Já o avanço geral do varejo farmacêutico foi de 36,1%.

Dentre essas empresas, o destaque foi a Raia Drogasil, que passou de R$ 637,9 milhões para R$ 1,19 bilhão de faturamento, um incremento de 87,5%. A diretora de marcas da Raia Drogasil, Renata Mascarenhas, acredita que a Needs, principal marca do grupo, possui um grande potencial de crescimento. “A Needs já tem vida própria dentro da empresa e ganhará cada vez mais espaço”, relata.

A IQVIA ainda revelou que a rede mineira Drogaria Araujo, proprietária da marca Mió, apresentou um salto em seu faturamento com produtos do segmento de private label, passando de R$ 99,3 milhões para R$ 161,6 milhões.

A gerente de marca exclusiva da Drogaria Araujo, Gabriella Mascarenhas, revelou que a expectativa para este ano é de que estes produtos representem cerca de 4% do faturamento de “não medicamentos”.

Segundo ela, a Mió já conta com mais de 300 produtos, presentes em todas as lojas. “Temos planos de expansão a todo vapor. Estamos lançando, em média, 100 produtos por ano”, completa.

Gabriella Mascarenhas ainda ressalta o bom desempenho apresentado por estes itens nas unidades da empresa. “Geralmente, quando entramos em uma determinada categoria, nos tornamos líderes com pouco tempo, devido ao trabalho de exposição e ações que fazemos”, relata.

Para ela, esse desempenho pode servir como uma “provocação saudável” aos fornecedores, gerando melhores negócios para a empresa. “Lançada em Abril de 2019 a Mió vem crescendo muito ano após ano. Em 2023, vamos crescer 40% comparado a 2022”, aponta.

A gerente de marca exclusiva da Drogaria Araujo relata que os produtos de marca própria já possuem uma boa aceitação por parte dos consumidores. “Os clientes já entenderam que o nosso objetivo é entregar produtos de qualidade com excelente preço”, completa.

Uma pesquisa, encomendada pela Associação Brasileira de Marcas Próprias e Terceirização (Abmapro), realizada pela NielsenIQ no ano passado, apontou dois motivos para o aumento na demanda por produtos de marca própria nas farmácias.

O primeiro é a crise econômica, que deu início durante a pandemia; e o segundo seria o peso da inflação sobre itens mais tradicionais. Além disso, os produtos de marca própria presentes no varejo farmacêutico são comercializados a um valor médio 36% inferior que os demais.

Vantagens de atuar no setor de private label

Para Gabriella Mascarenhas, um dos benefícios de trabalhar com este tipo de produto é a acessibilidade ao cliente. Além disso, tem a questão da fidelização desse cliente, a partir do momento que ele só encontra esses itens nas unidades da drogaria e em seus canais digitais.

Outro benefício citado por ela é o desenvolvimento de produtos exclusivos, diferente daqueles que já existem no mercado tradicional. Além disso, o segmento de private label também oferece vantagens no momento da negociação com fornecedores, proporcionando maiores margens e lucratividade para a empresa.

Apesar dos bons resultados, a gerente de marca exclusiva da Drogaria Araujo acredita que o mercado de private label ainda não está consolidado em Minas Gerais ou no Brasil. Ela ressalta que o mercado nacional de marca própria está muito distante do resto do mundo e ainda necessita de evolução.

Para se ter uma ideia, um estudo da NielsenIQ revelou que o mercado de marca própria representou cerca de 23% do share global em 2022. A Europa foi responsável por 33,6% dessa fatia, enquanto a América do Sul ficou com apenas 8,1% desse mercado.

Fonte matéria: https://diariodocomercio.com.br/economia/redes-de-farmacia-tem-bons-resultados-com-produtos-private-label/#gref

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