Marcas próprias deixam de ser opção só na crise e conquistam brasileiros

Fonte: DCI – Por Juliana Estigarribia  

Gigantes do setor, como GPA e Carrefour, apostam em parcerias com a indústria para aumentar a oferta de produtos; empresas prometem até 500 novos lançamentos na área alimentar em 2019

Antes uma opção apenas em momentos de crise, agora as marcas próprias estão se tornando uma alternativa permanente no carrinho dos brasileiros. Grandes redes como Grupo Pão de Açúcar (GPA) e Carrefour trabalham para expandir a receita no segmento, ampliando parcerias com a indústria e lançando centenas de produtos só neste ano.

“Anteriormente, o consumidor buscava promoções e preços mais baixos nas marcas próprias. Hoje, no País, o estigma de qualidade inferior desses produtos já foi superado”, avalia o diretor da área no Carrefour Brasil, Allan Gate. O grupo possui quatro marcas próprias no segmento de alimentos e bebidas: Sabor & Qualidade, Viver, Selection e Carrefour.

O diretor de marcas exclusivas do GPA, Wilhelm Kauth, conta que os selos líderes do mercado costumam ser mais fortes por aqui do que no exterior. “No Brasil, são quase uma ‘herança’. Dificultam a expansão das marcas próprias”, relata. Dono de redes como Pão de Açúcar e Extra, o grupo conta com cinco marcas exclusivas no segmento alimentar: Qualitá, Taeq, Club des Sommeliers, Finlandek e Casino.

A estratégia das gigantes supermercadistas envolve um aumento significativo da oferta de itens de marcas próprias principalmente em alimentos e bebidas. O preço para o consumidor, segundo Kauth, chega a ser de 30% a 35% mais barato que as marcas líderes.

No caso do Carrefour, a projeção é lançar aproximadamente 450 produtos somente neste ano. “Dentro do planejamento global do grupo de crescer no segmento, vamos lançar desde itens premium até alimentos de grande penetração nos lares. Hoje, não temos massas de marcas próprias, por exemplo, mas estamos correndo atrás”, destaca o executivo.

Já o GPA quer introduzir cerca de 500 novos produtos de marcas exclusivas na rede em 2019. “Temos a missão de lançar uma marca por ano no segmento”, revela Kauth.

Para tanto, o executivo salienta que o grupo trabalha para elevar o número de parceiros da indústria, dos atuais 150 a 170 para 200. “Nos últimos dois anos, temos notado que os fornecedores, principalmente pequenos e médios, estão mais do que dobrando o faturamento ao investir em novas tecnologias e processos produtivos para atender à demanda das marcas próprias. E nós queremos parceiros de longo prazo para garantir a qualidade dos produtos.”

O executivo do Carrefour, pondera que das 100 grandes categorias de alimentos e bebidas, o grupo atua em metade delas por meio de marcas próprias. “Remontamos nosso time na área para desenvolver mais rapidamente esses produtos. Hoje, levamos cerca de seis meses para começar a produzir e entregar ao mercado.”

Ele pontua que o processo de escolha dos fornecedores é extremamente criterioso. “Para garantir qualidade com um bom custo, a auditoria é pesada”, assegura. O diretor do GPA reforça a tese. “O consumidor sempre busca novidades no supermercado. Mas garantir essa oferta depende tanto de nós quanto dos fornecedores. O ponto crucial nesse projeto é a aliança com a indústria, que é muito importante no processo todo”, esclarece. “Nossa ambição não é ser uma opção para a crise econômica, mas uma alternativa permanente.”

Tendências

Duas tendências seguem fortes no segmento de marcas próprias. Tanto as categorias premium – amplamente abastecidas pela importação – quanto aquelas com apelo de saudabilidade ganharam destaque no portfólio das redes.

Segundo o diretor do GPA, um dos grandes focos do grupo para os próximos anos é o segmento de alimentação saudável. “Do total de lançamentos nas marcas exclusivas para este ano, cerca de 100 serão de produtos com apelo saudável”, relata Kauth.

Ele acrescenta que os preços de produtos orgânicos em geral, no Brasil, chegam a ser proibitivos e o grupo investe para aumentar a oferta na categoria. “O desafio é grande para oferecer itens orgânicos com preço competitivo, mas nós estamos trabalhando para democratizar estes produtos.”

Para Gate, a expansão do segmento de marcas próprias passa pela saudabilidade. “Para nós, o conceito vai transitar por todas as nossas marcas próprias para podermos oferecer produtos diferenciados.”

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