Grupo GPA acelera expansão do Assaí e quer mais força em marcas próprias

Fonte: DCI – Por JOÃO VICENTE RIBEIRO

Abertura de novas lojas no formato de cash ans carry, que já representa um marketshare de 44% nas vendas totais da companhia, pode mitigar possível aumento dos preços no segundo semestre.

 

 

Com lucro líquido de R$ 476 milhões no segundo trimestre de 2018 – alta de 142% ante o mesmo período do ano anterior –, o Grupo GPA Alimentar seguirá apostando no crescimento do modelo cash and carry e na ampliação do portfólio de marcas próprias para incrementar nível de competitividade nos próximos meses.

Em teleconferência realizada ontem (25) sobre os resultados consolidados no período, o presidente do Grupo GPA, Peter Estermann, afirmou que a bandeira atacadista Assaí “segue com crescimento expressivo e ganho de 2 pontos percentuais (p.p.) de marketshare” no acumulado do trimestre. Segundo o balanço, de abril a junho, foram abertas duas novas unidades neste modelo – chegando a 20 aberturas registradas nos últimos 12 meses.

“Atualmente, estamos com nove lojas em construção e um negócio em processo de conversão”, afirmou Estermann. De acordo com o relatório trimestral do GPA, a transição das unidades supermercadistas para a bandeira Assaí resulta num aumento de 2,5 vezes no volume de vendas. Em termos de participação no montante de itens comercializados, o atacarejo já é responsável por 44,8%.

“Estamos nos preparando para um movimento de expansão agressivo no segundo semestre, buscando melhorias na proposta de valor do negócio tanto para pessoas físicas como jurídicas. Devemos terminar o ano com um total de 148 unidades da marca Assaí”, diz. Em relação ao lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em ingles), o atacarejo chegou a R$ 321 milhões no segundo trimestre de 2018 – resultando num aumento de 34,2% sobre um ano antes.

Multivarejo

Em fase de reformulação no formato de lojas, as marcas que compõem o multivarejo do Grupo GPA Alimentar – como por exemplo Extra e Pão de Açúcar – deverá receber mais opções de marca própria para crescer os próximos anos.

“Registramos uma evolução do desempenho de nossa marca exclusiva. Um resultado do reposicionamento da Qualitá e ampliação do mix de itens disponibilizados nas lojas, especialmente para o Extra”, afirmou o diretor-executivo da bandeira Extra, Alberto Calvo.

Segundo ele, resultados obtidos com a venda de produtos não alimentares em datas comemorativas – como a Pink Friday – ajudaram a alta de 0,9 p.p. na margem Ebitda ante um ano antes (R$ 358 milhões). Por fim, o executivo aponta o projeto piloto em curso de revitalização de dez lojas no formato Extra Super e as reformas nas unidades Pão de Açúcar.

Protegido pela crise

Para o analista da Lerosa Corretora, Vitor Suzaki, o fato do modelo cash and carry dispor de preços menores para os consumidores finais, ou pessoas jurídicas, pode ser uma espécie de “proteção” para a margem do grupo como um todo, tendo em vista que há expectativa de maiores níveis de inflação para o segundo semestre. “Acredito que a própria tendência de conversar de lojas no formato hiper em Assaí é um reflexo disso”, pontua.

Além disso, Suzaki também lembra que o investimento em marca própria é uma forma de gerar maior volume de vendas para o negócio por meio de um preço mais competitivo e sobretudo nos processos de operação regional, como por exemplo a reativação da marca mais focada nas classes C e D, Compre Bem.

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