Ovos de páscoa de Marcas Próprias ganham espaço

24/03/2016
Fonte: Valor Econômico

Enquanto fabricantes tradicionais de chocolates reformulam as linhas de ovos de Páscoa para tentar repetir o volume de vendas de 2015, varejistas aumentam as vendas de produtos de marca própria, com preços 20% mais baixos que os de marcas famosas. A Associação Brasileira de Marcas Próprias e Terceirização (ABMAPRO) estima que as vendas de ovos de marcas próprias deverão crescer entre 15% e 20% em relação a 2015.

“A marca própria ganha espaço em períodos de inflação alta porque o preço é mais baixo. Os consumidores estão resistentes em gastar e buscando economizar”, afirmou Neide Montesano, presidente da Abmapro. Segundo a executiva, o que torna possível vender produtos de marca própria a preços mais baixos é o baixo investimento em marketing.

Uma das varejistas que aumentou as vendas de ovos de Páscoa de marca própria foi o Grupo Pão de Açúcar (GPA). Rafael Berardi, gerente de marcas exclusivas do GPA, disse que as vendas de ovos da marca Qualità estão de 15% a 20% maiores em relação à Páscoa de 2015. A linha, que no ano passado representava 85 das vendas totais de ovos, chegou a 15% neste ano.

“A companhia já via, nos últimos anos, uma perda de participação das marcas tradicionais, por causa do aumento de preços. Então houve a decisão de reforçar a marca própria”, afirmou Berardi. Ele observa que os fabricantes tradicionais optaram por aumentar o valor agregado dos ovos, com brindes e recheios mais sofisticados, que encareceram o produto. “Trabalhamos com linhas mais simples e com preços até 25% mais baratos, o que atende o desejo dos consumidores”, afirmou Berardi. Ele disse ainda que o GPA manteve o peso dos ovos, com linhas de 50 gramas, 150 e 155 e coelhos de chocolate de 60 gramas. O reajuste de preços, segundo ele, ficou em linha com a média do mercado.

Uma pesquisa da Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS) indicou que as redes supermercadistas reajustaram os preços em 6,4%, em média, e reduziram as encomendas de ovos de páscoa em 7% em relação à 2015. Os fabricantes de ovos de páscoa relataram um aumento médio de 10% para o varejo.

A Panificadora Cepam, dona da marca Village, informou que as encomendas de ovos de páscoa de Marcas Próprias aumentaram 8% neste ano, sendo 1,5 milhão de ovos com a marca Village e o restante, marcas de terceiro, incluindo marcas próprias para o varejo.

“As varejistas fizeram encomendas maiores porque estão mais otimistas com essas linhas”, disse Reinaldo Bertagnon, diretor comercial da Cepam. Ele acrescentou que a Cepam também conseguiu aumentar as vendas dos ovos Village porque fez reajustes de preço de 6,5% e investiu em brindes mais elaborados, que tem apresentado bom ritmo de vendas no varejo.

Redes especializadas em chocolates, que reajustaram preços abaixo da inflação, também relataram aumento de vendas. Mário Costa Júnior, diretor da Ofner, disse que as vendas estão acima das registradas em 2015 e espera fechar fechar a Páscoa com aumento de 11% no volume de vendas. “O consumidor está comprando de uma forma mais racional e assertiva”, disse Costa. A Ofner reajustou os preços de 8% a 10%, sem mudança no peso.

Alexandre Costa, presidente da Cacau Show, disse que as vendas até agora estão dentro da expectativa. A companhia ampliou em 11% a produção de ovos de Páscoa e reajustou os preços em 7%. “Os dados mostram que a companhia está no caminho certo”, disse. A Kopenhagen, do grupo CRM, informou que também reajustou os preços em 7%, mas espera repetir o mesmo volume de vendas de 2015, de 3 milhões de ovos de páscoa ou 690 toneladas, de acordo com Renata Moraes Vichi, vice-presidente executiva do grupo CRM.

A Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados (ABICAD), estima que as vendas totais de ovos de Páscoa ficarão, no máximo, iguais às de 2015, chegando a 20 mil toneladas, ou 80 milhões de unidades. Ubiracy Fonseca, vice-presidente de chocolate da Abicad, disse que os fabricantes procuraram reduzir peso, tamanho e embalagens e reduzir custos produtivos, e, dessa forma, trabalhar com preços semelhantes aos do ano passado no varejo.

 

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